Pagamos por azeite virgem extra que não é virgem extra. O teste no supermercado

Infelizmente, não está sozinho neste problema! A falsificação de azeite virgem extra é um problema grave e generalizado em todo o mundo. Muitas vezes, os produtos rotulados como “extravirgem” são, na realidade, feitos com azeite de qualidade inferior, misturados com outros óleos vegetais (como o óleo de girassol) ou mesmo diluídos com azeite “lampante”, impróprio para consumo humano.

Por que razão isso acontece?
O preço do azeite está em constante aumento, o que torna a contrafação atraente para os burlões, pois é uma forma fácil de obter grandes lucros. Os truques são frequentemente utilizados, como:

Mistura com azeites mais baratos: O óleo de girassol ou outros óleos sem sabor são misturados no azeite e depois coloridos com clorofila ou carotenoides para se assemelharem ao verdadeiro azeite virgem extra.

Utilização do azeite “Lampante”: Trata-se de um azeite de baixa qualidade, com elevada acidez e defeitos organoléticos, sendo, por isso, impróprio para consumo. É refinado ou misturado com outros azeites.
Rotulagem incorreta: A designação “extra virgem” tem padrões de qualidade rigorosos (por exemplo, acidez abaixo de 0,8%, características organoléticas perfeitas). Os falsificadores colocam simplesmente este rótulo em produtos não conformes.


Origem falsa: Os azeites são frequentemente rotulados como italianos, espanhóis ou gregos, mas, na verdade, vêm de outro país e foram aí engarrafados.
Como identificar o azeite virgem extra falso no supermercado?
Embora seja difícil ter 100% de certeza sem um teste laboratorial, há sinais a ter em conta:

O rótulo e as informações
Rótulo “extra virgem”: Procure sempre este rótulo. Termos como “light”, “puro”, “azeite refinado” não indicam qualidade virgem extra.
Data e local da colheita: Procure a data da colheita no rótulo. Quanto mais fresco, melhor. O azeite virgem extra deve ser consumido preferencialmente até 2 anos após a colheita. O país e a região de origem também são importantes.


Marcas de qualidade: Procure certificações de qualidade, como os logótipos DOP (Denominação de Origem Protegida) ou IGP (Indicação Geográfica Protegida). Representam controlos rigorosos e garantem a autenticidade.
Preço: Se o preço for demasiado baixo em comparação com o selo “extravirgem”, pode levantar suspeitas. Produzir azeite virgem extra de qualidade é caro.
Embalagem
Vidro escuro ou recipiente opaco: O azeite virgem extra é sensível à luz e ao calor, o que pode degradar a sua qualidade. Por este motivo, é geralmente armazenado em garrafas de vidro escuro ou recipientes de metal opacos. Evite garrafas transparentes ou de plástico.
Sabor e aroma (em casa, durante a degustação)
Azeite virgem extra autêntico:


Aroma: Fresco, frutado, lembrando erva verde, azeitonas, tomate ou amêndoas.
Sabor: Agradavelmente frutado, ligeiramente amargo e com um ligeiro travo picante na garganta (sinal da presença de polifenóis). Não deve estar rançoso, metálico, avinagrado ou com cheiro a mofo.
Textura: Sedosa, mas não gordurosa e pesada.
Azeite falsificado/de baixa qualidade:
Frequentemente não possui o sabor e o aroma característicos.
Pode ter um sabor rançoso, bolorento, bolorento, metálico ou a lápis de cera.
Sem sabor residual pungente.


O “teste da refrigeração” (não é 100%, mas ajuda)
Condensação/solidificação no frigorífico: Alguns especialistas afirmam que o verdadeiro azeite virgem extra pode ficar turvo e engrossar no frigorífico, enquanto os falsificados não. No entanto, este não é um método cientificamente comprovado e fiável, uma vez que a composição do azeite (perfil de ácidos gordos) influencia muito este processo, e alguns azeites virgem extra podem permanecer líquidos no frio. No entanto, este método pode fornecer um guia rápido e prático para que possa fazer em casa.
Porque é que isso é importante?
O azeite virgem extra difere não só no sabor e no aroma, mas também nos seus benefícios para a saúde. Rico em antioxidantes, polifenóis e ácidos gordos monoinsaturados, que contribuem para a saúde cardiovascular, têm efeitos anti-inflamatórios e protegem as células. Os óleos falsificados não oferecem estes benefícios, ou apenas os oferecem em quantidades mínimas.

No geral, vale a pena comprar de uma fonte fidedigna, de uma marca conhecida e com boa reputação, e prestar atenção às informações do rótulo. Se o preço de um produto for suspeitosamente baixo ou o sabor/aroma não corresponder às expectativas, vale a pena desconfiar.

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